Santa Bárbara é pioneira em cemitério vertical público biosseguro no país

25 de maio de 2017 - 14:41 | por Patrícia Botaro
Santa Bárbara é pioneira em cemitério vertical público biosseguro no país
Ambiente
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A proposta do cemitério vertical biosseguro de Santa Bárbara, o primeiro público do Brasil e único de Minas Gerais nesses moldes, é aliar alta tecnologia e sustentabilidade, garantindo conforto e segurança. No município serão, ao todo, 265 gavetas, distribuídas em sete andares e com durabilidade superior a 50 anos. São peças únicas, sem emendas, produzidas em fibra de vidro e resina de garrafa pet. Cada túmulo construído significa 167 garrafas pet a menos no meio ambiente.

As gavetas ocupam uma área de menos de 100 m². No sepultamento convencional seria necessário 546m² para a mesma quantidade de sepulturas. A proporção é de um sepultamento convencional para cada sete sepultamentos verticais.

É importante destacar, também, que as gavetas não possuem poro algum, logo, não há vazamento dos líquidos provenientes da deterioração dos corpos, impedindo, assim, a passagem de gases para o espaço de circulação de trabalhadores e visitantes. Além disso, há dispositivos que permitem a troca gasosa em todas as gavetas, propiciando as condições necessárias para a decomposição.

O sistema rotativo de gavetas resolve a necessidade de novas sepulturas com o passar do tempo, pois os corpos permanecem ali por três anos em um processo de decomposição, sendo, então, direcionados, posteriormente, para um ossuário, com identificação do sepultado.

Seguindo o padrão sustentável, as lápides são feitas com um tipo de granito ecológico, desenvolvido a partir do bagaço da cana-de-açúcar, 20% de palha de coco seca, carbonato de cálcio misturado a areia, fibra de vidro e resina com 30% de garrafa pet reciclada.

Uma cabine, acoplada às gavetas, abriga o Módulo de Controle e Comando (MCC). Deste local são monitoradas a pressão, a temperatura e a umidade de cada túmulo. O espaço também comporta o sistema de tratamento de gases, proveniente das gavetas. Três colunas filtram esse ar sujo, devolvendo-o ao ambiente sem odores. Outra válvula recebe o ar limpo da natureza, que é injetado em todas as gavetas ocupadas, ao mesmo tempo.

O MCC também gerencia automaticamente a vedação das gavetas por meio de um teste de estanqueidade, feito sempre após cada sepultamento. A precisão do procedimento detecta qualquer furo ou falha na lacração, permitindo que os vazamentos ocorridos na operação sejam reparados.

Assim sendo, caso seja detectada alguma falha na integridade da gaveta, independente da causa, o sistema entra em “módulo de alerta” e executa automaticamente o protocolo de segurança, que consiste em manter um vácuo permanente. Na sequência, o MCC envia um alerta por SMS para os celulares dos responsáveis, informando e identificando o lugar do possível vazamento.

O modelo de sepultamento não contamina o ar, o solo ou o lençol freático. Além disso, reduz o nível de enxofre lançado no meio. Nestes moldes o sepultamento leva apenas 10 minutos, enquanto da maneira tradicional são 55. Todo o processo descrito atende por completo a Resolução CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) 335/2003, que detalha as diretrizes a serem seguidas para licenciamento ambiental tanto de cemitério convencional quanto vertical.

A obra, no valor de R$ 447.555,63, foi construída com recurso próprio.

 

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