Paróquia de Itabirito pede ajuda da população para restaurar 3 igrejas históricas

27 de agosto de 2017 - 13:44 | por Sergio Sanches
Paróquia de Itabirito pede ajuda da população para restaurar 3 igrejas históricas
Itabirito
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Em uma iniciativa como nunca vista em Itabirito (MG), a Paróquia de São Sebastião (em parceria com o Instituto Yara Tupynambá) uniu forças para restaurar três igrejas históricas do município itabiritense.

São elas: Nossa Senhora da Conceição, datada de 1718, do distrito de Acuruí; Nossa Senhora do Rosário, de 1751, também de Acuruí, e Igreja de São Gonçalo do Monte, da qual não se sabe a data precisa da construção, mas calcula-se que também seja do século 18 (como as outras duas).

A terceira capela citada pertence ao distrito de mesmo nome do santo.

O trabalho a ser feito é caríssimo. Para se ter uma ideia, por meio da promotora de Justiça, Vanessa Campolina, o Ministério Público destinou R$ 1 milhão para o início do restauro. Por sua vez, a Prefeitura de Itabirito entrou com aporte de R$ 230 mil.

No que diz repeito aos trabalhos de restauro, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição está praticamente finalizada. Terminando as obras de um monumento, tem-se início a segunda igreja (Nossa Senhora do Rosário). E, depois, a de São Gonçalo do Monte (uma das maiores tristezas de Itabirito quando o assunto é abandono de prédio histórico).

Todavia, os valores citados não são suficientes para restaurar as três igrejas. Por isso, com objetivo de arrecadar fundos para a iniciativa, a mostra “Da Arte Urbana às Galerias” acontece no Salão dos Ferroviários (sala de vidro) da Praça da Estação, em Itabirito (MG). A exposição vai até dia 31 de agosto, das 9h às 21h.

Alguns dos maiores expoentes da arte urbana nacional da atualidade: Ataide Miranda, Gud Assis, Hely Costa, John Viana, Nilo Zack e Scalabrini Kaos colocaram réplicas autenticadas de seus quadros à venda pelo preço de R$ 2.000 cada.

Que fique claro: as obras originais estão expostas no Salão dos Ferroviários, mas, a princípio, o que estão sendo vendidas são as réplicas.

Canecas (a R$ 50) e outros produtos que remetem às obras expostas na sala de vidro também podem ser adquiridos a preços não convencionais em nome da causa.

O valor do patrimônio histórico vai além da fé religiosa

Restaurar uma igreja histórica não deveria ser somente uma preocupação da religião que tem a edificação como templo. É, acima de tudo, um compromisso com a identidade de um povo, um resgate de uma tradição.

Qualquer pessoa sabe da importância de se preservar algo, de relevância, que remeta ao passado dela. Transportando essa relevância para toda uma sociedade se tem, por exemplo, um monumento com importância histórica.

Sob o ponto de vista turístico, Itabirito foi “apagada” se comparada às vizinhas Ouro Preto e Mariana. Por um motivo muito simples: estas cidades mantiveram parte considerável de seus monumentos.

Em Ouro Preto, a própria vicissitude de fatos passados se encarregou de destruir parte da história ouro-pretana. O Morro da Queimada, por exemplo, um dos primórdios da cidade, hoje é basicamente ruínas.

Contudo, “disputados” monumentos de Ouro Preto continuam de pé para deleite de turistas do mundo inteiro. Já em Itabirito, que foi distrito ouro-pretano, restam somente resquícios históricos que ainda assim merecem o respeito (mesmo que tardio) do itabiritense.

Tal situação faz da atitude do padre Edmar um marco na história de Itabirito. História que não se faz somente com “monumentos de pedra”, mas também com a sensibilidade de personalidades.

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