Papa Francisco e a pobreza que somos convidados a viver

8 de novembro de 2017 - 10:35 | por Redação
Papa Francisco e a pobreza que somos convidados a viver
Mariana
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Neste ano de 2017, no dia 19 de novembro, celebraremos o I Dia Mundial da Pobreza proclamado pelo Papa Francisco com o tema: “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade” (1 Jo 3, 18).

Em atenção a data, o pontífice emitiu uma mensagem ao mundo cristão e aos homens e mulheres de boa vontade onde ressalta que as comunidades cristãs devem se empenhar na criação de momentos de encontro, amizade e solidariedade e ajuda concreta aos mais necessitados. Este encontro com os mais necessitados nos revela e nos aproxima de Deus, que O buscamos com tanta intensidade. Pela fé a partir de Jesus Cristo, somos convidados a acolhê-los como “hóspedes privilegiados à nossa mesa; poderão ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé. Com a sua confiança e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma sóbria e muitas vezes feliz, como é decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos à providência do Pai”, aponta Francisco.
A Igreja desde o início se mostra solicita e cuidadosa com os pobres e necessitados (At 6, 3) e se pode compreender tão ação, pois a comunidade dos discípulos exprimia um espírito de fraternidade e solidariedade (At 2, 45). Ao longo dos tempos a Igreja se manteve atenta ao essencial, pois quando fizer o bem a um dos pequeninos é a Cristo que faz (Mt 25, 35-45). “Quantas páginas de história foram escritas por cristãos que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!” (Francisco).

Dessa forma, é um grande desafio não desassociar a nossa fé de obras reais e concretas em favor dos mais necessitados para que na partilha com os pobres possamos compreender a profundidade dos encontros de Jesus e a boa nova evangélica.

Mas não podemos nos colocar serviçais aos pobres somente como destinatários de nossas obras de voluntariado para aliviar a consciência, mas abrir um verdadeiro encontro com os mais necessitados e criar espaço para se assumir um novo estilo de vida.  “Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, repartido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: ‘Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez’ (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).” (Papa Francisco).

Por isso somos, como cristãos, chamados a cultivar a pobreza evangélica, que consiste no abandono voluntário das riquezas e dos bens exteriores com o objetivo de estar unicamente com Deus. A vivência da pobreza deve ser cultivada a partir da relativização de tudo por conta de uma vida imersa em Cristo. “Tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por Ele, eu perdi tudo e tudo eu tenho como lixo, para ganhar a Cristo e ser achado nele” (Fl 3,8).

O conselho evangélico de pobreza só toma sentido real, existencial e salvífico se se passa pela imitação de Cristo, numa vida pobre de fato e de espírito, sóbria e desprendida das riquezas terrenas. A renúncia dos bens temporais e o cultivo da pobreza devem se voltar à Providência divina, o Pai cheio de bondade, que se ocupa dos pássaros e das flores do campo (Mt 6, 26) e não abandona aos que com confiança se entregam a Ele.

Destarte, este I Dia Mundial da Pobreza, nos alerta e coloca na espiritualidade de todos os cristãos a temática da pobreza e da liberdade diante do materialismo pregado pelo mundo. Seguir a Cristo passa pelo despojamento e pelo esvaziamento que a cultura moderna tanto ojeriza. Precisamos crer e viver a partir de um Deus que se dá inteiramente a nós, que nos ensina a partilha o que temos e somos. Aí sim, teremos o que é essencial para nossa vida e felicidade.

*Geraldo Trindade
Formado em filosofia pela FAM, teologia pelo ITSJ, padre na Arquidiocese de Mariana. Atualmente assessor da dimensão litúrgica regional leste, assessor arquidiocesano do COMIDI e da JM. Atua em Viçosa (MG). Mantém o blog: http://pensarparalelo.blogspot.com

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