Papa Francisco chega ao Chile e outras igrejas são atacadas

16 de Janeiro de 2018 - 11:50 | por Redação
Papa Francisco chega ao Chile e outras igrejas são atacadas
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O Papa Francisco desembarcou nesta madrugada (16 ) no Chile e ataques a três novas igrejas católicas foram realizados após sua chegada à capital chilena.

Dois deles ocorreram em Cunco, distante 700 quilômetros de Santiago, na região da Araucanía. As igrejas ficaram totalmente destruídas, disse o comandante do Corpo de Bombeiros da localidade, Pablo Oackley,  durante entrevista a uma rádio local..

“Os templos atacados ficavam nos setores de Lagunillas e em Río Negro, e as chamas começaram simultaneamente nos dois lugares. As capelas foram totalmente consumidas. Não ficou qualquer vestígio. Será difícil determinar a origem e causa do incêndio”, disse Oacley.

A região de Araucanía será visitada pelo Papa  na quinta-feira (18) e vive conflitos agrários entre comunidades indígenas e empresas agrícolas.

O terceiro ataque contra igrejas aconteceu em Puente Alto, cidade limite de Santiago, o ataque foi à Paróquia Mãe da Divina Providência, que sofreu danos consideráveis, segundo a polícia.

Relatos de moradores afirmam que cinco pessoas lançaram bombas contra a porta do templo e depois queimaram bandeiras do Chile e do Vaticano.

O total de igrejas atacadas desde a semana passada chega a nove.

Nesta manhã, o Papa participou de evento público onde recebeu boas vindas em ato que teve a participou da presidente Michele Bachelet, quando falando às autoridades, à sociedade civil e ao corpo diplomático, reunidos no Palácio Presidencial “La Moneda”, tocou temas como democracia, povos nativos e meio ambiente. E pediu perdão pelas falhas da Igreja.

Depois de ouvir as boas-vindas da presidente Michelle Bachelet, o Pontífice tomou a palavra para manifestar sua satisfação de voltar à América Latina, começando sua visita nesta “amada terra chilena”, onde fez parte de sua formação juvenil.

Francisco iniciou seu discurso destacando o desenvolvimento da democracia chilena, que permitiu ao país alcançar nas últimas décadas um “notável progresso”. O Papa citou a celebração este ano do bicentenário da declaração de independência, ressaltando que cada geração deve fazer suas as lutas e as conquistas das gerações anteriores e levá-las a metas ainda mais altas.

Democracia e inclusão

Diante das situações de injustiça que ainda persistem, Francisco apontou para os chilenos um “desafio grande e apaixonante”: “continuar a trabalhar para que a democracia, o sonho de seus pais, não se limite aos aspetos formais mas seja verdadeiramente um lugar de encontro para todos. Seja um lugar onde todos, sem exceção, se sintam chamados a construir casa, família e nação. Um lugar, uma casa, uma família chamada Chile”.

A Igreja pede perdão

O Papa enalteceu a pluralidade étnica, cultural e histórica da nação, que exige ser protegida de qualquer tentativa feita de parcialidade ou supremacia. Para Francisco, é indispensável escutar: os desempregados, os povos nativos, os migrantes, os jovens, os idosos, as crianças.

“ E aqui não posso deixar de expressar o pesar e a vergonha que sinto perante o dano irreparável causado às crianças por ministros da Igreja. Desejo unir-me aos meus irmãos no episcopado, porque é justo pedir perdão e apoiar, com todas as forças, as vítimas, ao mesmo tempo que nos devemos empenhar para que isso não volte a repetir-se. ”

Casa Comum e povos nativos

Com esta capacidade de escuta, o Papa convidou as autoridades a prestar uma atenção preferencial à nossa Casa Comum: “promover uma cultura que saiba cuidar da terra, não nos contentando com oferecer respostas pontuais aos graves problemas ecológicos e ambientais que se apresentem”. Francisco pediu a ousadia de um novo estilo de vida, aprendendo com a sabedoria dos povos nativos.

“Deles, podemos aprender que não existe verdadeiro desenvolvimento num povo que volta as costas à terra com tudo e todos os que nela se movem. O Chile possui, nas suas raízes, uma sabedoria capaz de ajudar a transcender a concepção meramente consumista da existência para adquirir uma atitude sapiencial em relação ao futuro.”

O Pontífice concluiu seu discurso convidando os chilenos a uma “opção radical pela vida”: “Agradeço mais uma vez o convite que me possibilitou vir encontrar-me com vocês, com a alma deste povo; e rezo para que a Nossa Senhora do Carmo, Mãe e Rainha do Chile, continue a acompanhar e fazer crescer os sonhos desta abençoada nação”.

fotos: Radio Vaticano

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