Navio a pique: deflação chegou e IPCA tem primeira variação negativa em 11 anos

7 de julho de 2017 - 21:23 | por Redação
Navio a pique: deflação chegou e IPCA tem primeira variação negativa em 11 anos
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, fechou o mês de junho com resultado negativo (deflação) de 0,23%, o primeiro registrado em 11 anos. Em maio, o índice  havia ficado em 0,31%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), oO resultado é o mais baixo para o mês de junho desde o início do Plano Real e o primeiro resultado mensal negativo desde 2006, quando foi registrada deflação de 0,21%. Em agosto de 1998, a taxa atingiu -0,51%.

Com isso, o primeiro semestre do ano fechou em 1,18%, bem menos do que os 4,42% registrados no mesmo período do ano passado. Considerando os primeiros semestres, é o resultado mais baixo da série histórica. Em relação aos últimos 12 meses, o índice acumulado foi para 3%, abaixo dos 3,6% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.

A deflação e seus os efeitos

A deflação significa que os preços dos produtos e serviços caíram de um período para outro, normalmente  por falta de consumidores,  sem dinheiro para ir às compras.  De acordo com o IBGE, o que mais puxou esse resultado foram as quedas no mês passado dos preços da energia elétrica, dos transportes e dos alimentos.

A deflação engana, por que  o consumidor consegue comprar produtos pagando menos, o que, em um primeiro momento, parece representar a recuperação do poder de compra,  mas normalmente indica dificuldades econômicas, como falta de recursos, empregos, confiança e ou investimentos e  pode acelerar o processo de recessão.

Esse comportamento normalmente está associado a países que enfrentam estagnações econômicas prolongadas, como o Japão, ou recessões severas acompanhadas de alto desemprego, como a Grécia.

Após a crise econômica global de 2008, o Japão registrou inflação negativa de 2009 a 2012. Somente em 2013, o país asiático voltou a registrar taxas positivas, mas os preços subiram por causa do aumento de tributos anunciado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe ao chegar ao poder. Em 2015 e 2016, o país continuou a registrar taxas positivas, mas próximas de zero.

Da mesma forma que a inflação alta representa um problema para a economia, a queda de preços também  é sinal de grandes dificuldades.

Deflação no Brasil

A deflação não é frequente no Brasil. De acordo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em poucos momentos da história, o Brasil registrou deflação por vários meses seguidos. A primeira vez foi em 1930, quando os preços caíram 8,9% após a crise do ano anterior.

Em 1998, a inflação ficou negativa por quatro meses: julho, agosto, setembro e novembro. O índice fechou aquele ano em 1,66%. Na época, o Brasil tinha um câmbio supervalorizado e cresceu apenas 0,34% e enfrentou severa crise econômica, até o ano de 2002, no segundo mandato de FHC.

Na década passada, o IPCA ficou negativo em apenas três vezes: em junho de 2003 (-0,15%), em junho de 2005 (-0,02%) e em junho de 2006 (-0,21%).  Nesse período, as deflações, no entanto, não indicaram tendência porque a inflação terminou em  9,3% em 2003, 5,69% em 2005 e 3,14% em 2006.

 

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