Ministro da Saúde diz que ‘Médico tem que parar de fingir que trabalha” e provoca reações

14 de julho de 2017 - 09:34 | por Redação
Ministro da Saúde diz que ‘Médico tem que parar de fingir que trabalha” e provoca reações
Brasil
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O Ministro da Saúde, Ricardo Barros(PSDB) afirmou disse que é chegada a hora do governo “parar de fingir que paga os médicos, e dos médicos pararem de fingir que trabalham”. A Federação Médica Brasileira reagiu  nota às declarações feitas pelo ministro e destacou que  a afirmação é fruto do “desespero de tentar salvar um governo afundado em denúncias de corrupção”

A afirmação do ministro, feita nesta quinta-feira (14), veio na esteira do anúncio do programa que pretende instalar equipamentos de biometria em todas as unidades de saúde da rede pública visando monitorar a jornada de trabalho dos profissionais.

Representando mais de 400 mil médicos do país, a Associação Médica Brasileira (AMB) rogou que  a autenticidade seja negada. Afirma que, caso contrário, o ministro mostra absoluta falta de conhecimento sobre o real funcionamento e entraves do sistema de saúde no Brasil.

Colocar culpa deste sistema colapsado, subfinanciado e mal gerenciado, nas costas dos médicos é caminho mais fácil e desprovido da verdade para escamotear o caos na saúde pública brasileira. Além disso, aproxima ainda mais a atual gestão do ministério da Saúde do governo anterior, que usava do mesmo artifício, querendo justificar sua incompetência, arrogância e prepotência, maculando a imagem dos profissionais de saúde.

Diante disso, urge que o ministro da Saúde se retrate com os médicos brasileiros, a quem nesta data, em sendo verdade descabidas manifestações, acabou tratando de forma desrespeitosa, sem observar toda carga de responsabilidade e empenho que estes profissionais dedicam dia a dia aos pacientes, mesmo diante do nosso cambaleante sistema de saúde. Melhorar o sistema é vontade de todos médicos e demais profissionais de saúde e por isso lutaremos sempre. Enxovalhar a reputação do médico brasileiro não é solução e comprova total inaptidão e incompetência do ministro da Saúde para conduzir os destinos da saúde que a população brasileira merece. Aguardemos o posicionamento do ministro Ricardo Barros.

Veja abaixo a nota conjunta da AMB e CFM.

 NOTA A SOCIEDADE

A VERDADE SOBRE O TRABALHO DO MÉDICO E A GESTÃO DO SUS

Diante da necessidade premente de união de esforços em torno da superação dos inúmeros problemas que afetam o Sistema Único de Saúde (SUS), são completamente inadequados os comentários pejorativos feitos por autoridades que se mostram desconectadas da realidade a respeito do trabalho dos profissionais da saúde, em especial dos médicos, bem como da própria dinâmica de funcionamento do SUS.

Frequentemente pacientes, médicos e demais profissionais da saúde são constrangidos por comentários feitos por gestores, inclusive do ministro Ricardo Barros, que distorcem as dificuldades enfrentadas pelo SUS, como ocorreu nesta quinta-feira (13), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

Na incapacidade de responder aos anseios da população, transferem para as categorias da área da saúde, sobretudo para os médicos, a culpa pela grave crise que afeta a rede pública. No entanto, polêmicas infundadas não eximem o Estado de suas responsabilidades ou afasta a compreensão da falta da indispensável atenção administrativa.

Os brasileiros sabem disso. Pesquisa do Datafolha, realizada no fim do ano passado, comprovou que os médicos constituem a profissão que mais conta com credibilidade e confiança junto a população. Além disso, segundo os dados, a sociedade reconhece que a falta de estrutura de atendimento e a má gestão, entre outros fatores, impedem o pleno exercício da medicina, em favor dos pacientes e de seus familiares.

Apenas o trabalho articulado de gestores e de todos os setores envolvidos com essa crise, o que inclui os médicos e os demais profissionais da área, assim como a sociedade em geral, ajudará a trazer as respostas esperadas pelos brasileiros, em especial os 150 milhões que dependem exclusivamente do SUS.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) reiteram seu compromisso com o SUS e conclamam a todos que comungam do mesmo ideal, inclusive os gestores – nas esferas municipal, estadual e federal – a somarem esforços evitando contendas ou divisões, as quais somente afastam o País da oferta de uma saúde pública de qualidade para todos.

Brasília, 13 de julho de 2017.

Conselho Federal de Medicina

Associação Médica Brasileira

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