Curta Circuito exibe clássico policial do cinema brasileiro em mostra especial sobre o cineasta Afrânio Vital

28 de julho de 2017 - 09:12 | por Sergio Sanches
Curta Circuito exibe clássico policial do cinema brasileiro em mostra especial sobre o cineasta Afrânio Vital
Cinema
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Vital, cineasta homenageado deste bimestre, atuou como continuísta no longa O caso Cláudia (1979), dirigido por Miguel Borges, que será exibido na próxima segunda; Em agosto, Vital irá fechar a programação especial com uma masterclass gratuita no Cine Humberto Mauro

Baseado em um crime real que prendeu a atenção do país na década de 1970, o filme O Caso Cláudia é  tema da próxima sessão do  Curta Circuito – Mostra de Cinema Permanente, que homenageia no último bimestre de programação 2017, o cineasta Afrânio Vital. O longa, dirigido por Miguel Borges, lotou os cinemas em 1979, ano de seu lançamento, trazendo  no elenco nomes como Nuno Leal Maia, Jonas Bloch e Roberto Bonfim. Vital atuou como continuísta na produção que levou para a telona fatos sobre as investigações do assassinato brutal de uma jovem no Rio de janeiro. A sessão é na próxima segunda-feira, dia 31 de julho, às 20h, no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte. Como sempre,  a entrada é franca com ingressos distribuídos na bilheteria do cinema 30 minutos antes da exibição.

Sobre o enredo do filme, a curadora do Curta , Andrea Ormond, destaca : “O interessante é observar que o filme ganhou muito em veracidade com a consultoria do jornalista da Veja, Meinel, vencedor do Prêmio Esso de 1977, na cobertura do caso.” O Caso Cláudia foi premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Brasília, com o troféu de Melhor montagem (Giuseppe Baldacconi), Melhor trilha sonora (Remo Usai) e Melhor ator coadjuvante (Roberto Bonfim).

O Caso Cláudia l Miguel Borges, RJ, 1979, 115′

Baseado em um episódio  real ocorrido em 1977, no Rio de Janeiro – o assassinato da jovem Cláudia Lessin Rodrigues, de 21 anos, na casa de Michel Frank, milionário suíço-brasileiro supostamente envolvido com o tráfico de drogas. Excepcionalmente nesta sessão, não haverá bate-papo após a exibição

Sobre Afrânio Vital

Nascido em 1948, na pequena Bom Jesus do Itabapoana, pode-se dizer que Afrânio Vital viveu muitas vidas até chegar à atual, de 2017. Fazem parte dessa trajetória os dramas pessoais e as conhecidas barreiras “invisíveis” – fruto do racismo que Afrânio compara ao Homem Invisível, de Ralph Ellison. O fato é que Afrânio Vital se deu o direito de ser khouriano, freudiano, filósofo, jazzista e todas as cartadas que o cinema brasileiro oficial jamais esperaria. Sem bandeiras sociológicas, Afrânio atendeu a um chamado particular, como a verdadeira esfinge negra de que fala Carlos Ormond, seu biógrafo. Dirigiu 15 curtas-metragens e três longas, misturou sexo, angústia e bom humor. Além de cineasta, Afrânio cursou duas universidades, tornando-se professor de filosofia e bacharel em Comunicação Social.

Sobre o Curta Circuito

Durante sua trajetória, iniciada em 2001, a Mostra de Cinema Permanente, que exibe exclusivamente filmes nacionais, sempre com entrada franca, conseguiu reunir um público de mais de 72 mil pessoas, que estiveram presentes em quase cinco mil sessões. A mostra, dirigida desde 2016 por Daniela Fernandes, da Le Petit Comunicação Visual e Editorial, é uma das referências em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão, debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos. Em 2017 a curadoria passou a ser feita pela crítica de cinema e autora do blog Estranho Encontro, Andrea Ormond. Tendo já atuado em 18 cidades dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pará, a mostra atualmente está presente em Belo Horizonte, onde tem como “sede” de suas exibições no Cine Humberto Mauro, e comemora a volta para os município mineiros de Montes Claros e Araçuaí. Já passaram pelo projeto convidados como Nelson Pereira dos Santos, Zé do Caixão, Sidney Magal, Othon Bastos, Antônio Pitanga, Nelson Xavier, Darlene Glória entre outros. O Curta Circuito atua também na preservação e memória do cinema brasileiro, trabalhando na restauração de filmes, em parceria com a Cinemateca do MAM-RJ. A iniciativa recebeu Mention do D’Hounner em Milão, em 2013, pela restauração do filme “Tostão, a fera de Ouro”, da década de 1970.

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