Crise hídrica limita nível de atividade da Samarco

7 de dezembro de 2017 - 10:46 | por Redação
Crise hídrica limita nível  de atividade da Samarco
Mariana
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Embora tenha  solucionado o problema da deposição de rejeitos na Cava Sul da Mina de Alegria, a Samarco terá de retornar as operações com capacidade reduzida, devido a falta de garantia no abastecimento de água em suas operações industriais.

O retorno de operações da produção da Samarco incorpora novas soluções para tratamento dos rejeitos e busca a máxima segurança. Ele será gradual, com capacidade reduzida.

A empresa propôs  no processo de Licenciamento Operacional Corretivo (LOC),  promover  aumento da segurança e da recirculação de água no processo produtivo. O LOC visa regularizar as licenças ambientais do Complexo de Germano, em Mariana e Ouro Preto, e da Estação de Bombas em Matipó (MG), suspensas em outubro de 2016 por determinação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). O processo também regularizará obras emergenciais realizadas para contenção dos rejeitos após o rompimento da barragem de Fundão.

Segundo a empresa e ” de acordo com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do LOC, protocolado em setembro deste ano junto à Semad, a Samarco planeja implantar a filtragem de rejeito arenoso, que corresponde a 80% do total de rejeitos gerados após o beneficiamento do minério de ferro, e o adensamento de lama, que representa os outros 20%.

A filtragem retirará a água do rejeito arenoso, permitindo o empilhamento do material. O adensamento de lama, que também retira água do rejeito, reduzirá o volume que será destinado à cava de Alegria Sul, que é a área em que a Samarco pretende depositar os rejeitos do beneficiamento, em substituição à barragem. Ambos os processos permitirão a recirculação da água na produção.

Empilhando rejeitos arenosos e depositando a lama adensada em cava, a Samarco desenvolveu uma solução que ampliará a vida útil da cava de Alegria Sul de 20 meses para cinco anos, sem alteração do projeto proposto. O uso dessa estrutura para dispor rejeito depende de outro processo de licenciamento, que está em fase final de análise pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

Uma vez obtida a Licença de Instalação da cava de Alegria Sul, a Samarco precisará de cerca de seis meses para fazer a preparação da área. A cava é a estrutura resultante do processo de lavra a céu aberto. Por possuir uma formação rochosa e estável, permite a contenção segura do rejeito nela depositado.

“Os estudos realizados comprovam que a retomada das operações da Samarco é viável e segura”, afirma o diretor-presidente da Samarco, Roberto Carvalho. “Tivemos muitos aprendizados e propomos novas soluções para tratamento dos rejeitos.”

Operação

Não há previsão para a data de retorno das operações da Samarco. A proposta da empresa é iniciar as operações a um terço da capacidade, com uso de apenas um dos três concentradores, e reativação gradual dos demais.

A projeção inicial da Samarco era de retomar a produção com utilização de 60% da capacidade, por meio da reativação de dois concentradores. Contudo, a Prefeitura de Santa Bárbara não concedeu a carta de conformidade da estação de captação de água existente no município, necessária para o protocolo do LOC com esse nível de produção.

O assunto está em discussão na Justiça, pois a estrutura entrou em operação em 2014, sem ter sido submetida a qualquer alteração e, portanto, estando em plena regularidade desde então. Sem a água de Santa Bárbara, o projeto de retomada considera o uso exclusivo de fontes internas de água já outorgadas.

Aprendizados

As soluções apresentadas pela Samarco no Licenciamento Operacional Corretivo são parte dos aprendizados da empresa. Desde novembro de 2015, a Samarco reforçou as estruturas remanescentes do Complexo de Germano e construiu um sistema de contenção de rejeitos formado pela barragem de Nova Santarém e quatro diques (S1, S2, S3 e S4), evitando o carreamento de sedimentos para o rio Gualaxo. O montante investido nessas obras foi de R$ 602 milhões.

A Samarco também aprimorou o Centro de Monitoramento e Inspeção (CMI), que funciona  24 horas por dia, sete dias por semana. O sistema de monitoramento conta com 480 equipamentos de última geração, tais como: estação robótica e meteorológica, radares de precisão milimétrica, laser scanner, câmeras, drones, piezômetros e acelerômetros. Inspeções de campo também são realizadas periodicamente, e as barragens estão estáveis e seguras, conforme aponta o monitoramento e o acompanhamento de consultoria especializada contratada a pedido de órgãos públicos.

Desde março de 2016, as coordenadorias municipais de defesa civil realizaram três simulados de emergência com o apoio da Samarco, capacitando moradores de dez comunidades entre Mariana e Barra Longa. Nesta área foram instaladas 31 sirenes, interconectadas via redes sem fio, para garantir o alerta aos moradores em situação de emergência.

Reparação

A Samarco segue comprometida com os 42 programas de reparação e compensação estabelecidos pelo Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) assinado em março de 2016 pela empresa, suas acionistas Vale e BHP e os governos Federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo. Desde novembro de 2015, até outubro de 2017, foram desembolsados R$ 2,8 bilhões nas ações de reparação e compensação, que foram assumidas pela Fundação Renova em agosto de 2016 ”,  diz comunicado emitido pela empresa.

*As audiências públicas sobre o Licenciamento Operacional Corretivo do Complexo de Germano iniciaram-se ontem(6) em Matipó e acontece hoje (7)  em Mariana e no dia  11 de dezembro, em Ouro Preto, às 19h.

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