Câmara cobra posicionamento da Reno diante da inadimplência da empresa Gonçalves e Costa

18 de maio de 2017 - 16:21 | por Patrícia Botaro
Câmara cobra posicionamento da Reno diante da inadimplência da empresa Gonçalves e Costa
Mariana
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Atendendo ao Requerimento n° 111/2017, de autoria do vereador Edson Carneiro “Leitão” (PPS) e assinado por todos os vereadores, a Câmara recebeu, na tarde desta terça-feira, dia 17, representantes da Fundação Renova, da Samarco e empresários marianenses. O objetivo da reunião foi iniciar uma mediação entre a Fundação Renova, responsável pela contratação da empresa inadimplente, e o empresariado que foi lesado por falta de pagamento da empresa Gonçalves e Costa Empreendimentos de Construção LTDA.

Durante a reunião, os empresários que prestavam serviços para a Gonçalves e Costa apresentaram as notas fiscais e documentação que comprova a dívida da empresa. De acordo com os documentos, a construtora deve cerca de R$ 2 milhões a fornecedores locais. O Gestor de Contratos da Fundação Renova, Giosan Souto Júnior apresentou como foi o processo de diálogo com a empresa contratada. Segundo ele, o contrato foi firmado em outubro de 2016 e as reclamações dos fornecedores começaram em fevereiro de 2017. Na época, a Renova se reuniu com representantes da empresa solicitando que a mesma esclarecesse a falta de pagamento aos fornecedores e a mesma afirmou que faria o pagamento aos comerciantes. No mês de março, segundo o Gestor de Contratos, mais reclamações de inadimplência foram feitas à Renova. Nesse mesmo mês, a Renova notificou a empresa formalmente e pediu que a Gonçalves e Costa apresentasse a relação de dívidas com os fornecedores. Mesmo com a notificação formal, a Gonçalves e Costa não forneceu os dados solicitados pela Fundação. No final do mês de março, a construtora pediu um adiantamento para pagar os fornecedores, que foi providenciado no dia 4 de abril. No entanto, a empresa não efetuou os pagamentos aos seus fornecedores e, após quatro dias, a Gonçalves e Costa pediu pra rescindir o contrato com a Renova.

Os representantes da Renova se comprometeram a reparar os danos de maneira gradual. A representante do setor Jurídico da Renova, Viviane Aguiar, admitiu que a Fundação precisa melhorar o processo de diálogo com a comunidade local. Ela afirmou que, juridicamente, a empresa Gonçalves e Costa não apresentava um risco no momento de sua contratação. “Estamos solidários, mas não podemos assumir judicialmente essa responsabilidade”, afirma Viviane ao ressaltar que a Fundação tem o desejo de encontrar uma solução justa para a questão através do dialogo.

Os parlamentares que participaram da reunião defendem que a Fundação Renova é responsável pelo pagamento integral dessa dívida com o empresariado local. Para o vereador Marcelo Macedo (PSDB), a Renova é co-responsável pela reparação dessas dívidas. “Os comerciantes não podem arcar com o prejuízo por irresponsabilidade da Gonçalves e Costa”, afirmou Marcelo. O vice-presidente da Câmara, vereador Deyvson Ribeiro (SD), pediu que a Renova estabeleça um prazo para efetuar os pagamentos dessas dívidas. Já o vereador Juliano Duarte (PPS) afirmou que o processo de contratação da Renova é injusto com os comerciantes locais. O vereador ainda sugeriu a criação de uma comissão dos comerciantes para continuar o diálogo nas próximas reuniões e, de forma organizada, discutir uma solução com a Renova. O vereador Leitão ressaltou que há quatro anos outra empresa deixou dívidas a fornecedores locais e, após a mediação da Câmara, receberam o valor do prejuízo.

Giosan Júnior afirmou que serão criados novos critérios para que empresas locais sejam priorizadas nas próximas contratações. De acordo com o Gestor de Contratos, será estabelecido um canal direto com a Associação de Comerciantes de Mariana para que a Renova conheça mais o comércio local. “O problema exposto é complexo e precisamos buscar uma solução conjunta,” afirmou Giason.

A discussão que teve início nessa quarta-feira, 17, é o início do diálogo que a Câmara se propôs a mediar entre os comerciantes locais e a Renova. A próxima reunião, na qual a Renova já apresentará um demonstrativo de valores, estudo e planejamento de pagamentos futuros, foi agendada para a próxima semana. De acordo com o empresário da empresa Fermax, Fernando de Oliveira, um dos comerciantes que foi lesado pela Gonçalves e Costa, os credores farão o que for preciso para não saírem no prejuízo.

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