Acontecimentos na Irrealidade Imediata: exposição fotográfica exibe outro olhar do mundo dos objetos

1 de maio de 2017 - 15:10 | por Patrícia Botaro
Acontecimentos na Irrealidade Imediata: exposição fotográfica exibe outro olhar do mundo dos objetos
Arte
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Será realizada neste sábado, dia 6, às 10h, no Café Kahlua, em Belo Horizonte, a abertura da exposição “Acontecimentos na Irrealidade Imediata”, composta por 20 fotografias do fotógrafo e pesquisador, Reginaldo Luiz Cardoso. A visitação é gratuita e pode ser feita diariamente, de 10h às 20h30, exceto aos domingos. Todas as fotografias estarão à venda.

Segundo Reginaldo, a ideia da exposição surgiu a partir de um convite do proprietário do Café Khalua, Ruimar de Oliveira Jr, que tem um espaço dedicado exclusivamente à arte fotográfica. “São fotografias que buscam registar o inusitado do mundo dos objetos, ou seja, de um mundo que está aí e que ninguém vê por não dar a devida atenção. O resultado é uma série de imagens absolutamente abstratas. Daí o título da mostra: “Acontecimentos na Irrealidade Imediata”, inspirado no livro do escritor romeno Max Blecher (1909-1938), escrito em 1933. E os títulos de todas as fotografias são frases retiradas do livro citado”, conta.

O fotógrafo, que também é pesquisador junto ao Laboratório Estado, Sociedade, Tecnologia e Espaço – LABespaço, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nasceu em Ouro Preto, mas há 30 anos mora em Belo Horizonte. Seu primeiro contato com a fotografia de fato, aconteceu em meados da década de 80, quando foi assistente do fotógrafo Daniel Curi, que hoje se encontra na Filadélfia (EUA).

Para ele, tudo pode servir de inspiração. “Depende do momento de sua vida. Esta exposição, como já foi dito, foi inspirada na literatura, algo que, aparentemente, nada tem a ver com a fotografia. Em outro momento, num trabalho de 2014, serviu-me de inspiração a pintura do norte-americano Edward Hopper (1882-1967) que fala da solidão. Foi uma série de fotografias que continham pessoas solitárias em grandes cidades. Em suma: a inspiração é aquilo que te toca em um determinado momento”, explica.

Reginaldo tem como referência vários fotógrafos, como os brasileiros, Cristiano Mascaro e do Klaus Mitelldorf. “De fora do Brasil, o mestre dos mestres, Henri Cartier-Bresson (1908-2004); o norte-americano Walker Evans (1903-1975); o luxemburguês Edward Streichen (1879-1973) e o também norte-americano Man Ray (1890-1976), com destaque para a sua fase dadaísta. Mas a lista é longa, e nela há muitos fotógrafos contemporâneos como Cris Bierrenbach e Eustáquio Neves”, ressalta.

Ainda de acordo com o fotógrafo, foram usadas câmeras diferentes para realizar este trabalho. “São câmeras de diversos tipos: das mais banais às mais sofisticadas, ditas profissionais. O mais importante é saber o que você pode tirar do equipamento, perceber o que ele pode lhe oferecer naquele momento. Porque se não pensarmos assim, caímos no fetiche da tecnologia, esquecendo que fotografia é, antes de tudo, feita com o olhar”, finaliza.

A exposição, que tem o apoio da Café Kahlua, Sindados-MG e Lu Lara Mimos, segue até o dia 9 de junho, no Café Kahlua, na rua dos Guajajaras, 416, Centro de Belo Horizonte.

Um comentário

  1. Fernando Perdigão diz:

    Estou realmente curioso para ver de perto este conjunto de fotografias do amigo e conterrâneo Reginaldo Cardoso. Pelas suas publicações, as que tenho visto, referências filosóficas, intelectuais e artísticas, espero acessar um mundo de possibilidades estéticas, aquele lugar misterioso entre a física e a metafísica onde só a arte pode nos levar!

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